A Linha do Comboio do Minho, entre Valença e Monção foi desactivada nos inícios de 1990.
Mais tarde, cerca de dez anos depois, começou a surgir a ideia de transformar esta linha desactivada numa Ecopista, para ligar Valença ao apeadeiro da Senhora da Cabeça, a cerca de 3 kms de Monção e aproveitar turisticamente um percurso recheado de belas paisagens.
A 1ª Fase da Ecopista do Rio Minho, com uma extensão de cerca de 13 kms foi inaugurada em Novembro de 2004. Presentemente a Ecopista já vai até Monção e tem uma extensão de 16,3 kms.
Esta Ecopista, com vistas privilegiadas para o Rio Minho, comporta miradouros, centros interpretativos e mesmo casas de banho, uma vez que foram recuperados os sanitários de antigos apeadeiros , nomeadamente nas estações de Ganfei, Verdoejo, Friestas, Lapela e Cortes. É uma ecopista recheada de pontos de interesse.
São pouco mais de 30 kms, ir e vir, que se fazem facilmente, uma vez que os desníveis que existem são muito pouco acentuados.
Viajar de bicicleta pela Ecopista do Rio Minho é atravessar um verdadeiro parque natural e ir sentindo a natureza através dos cheiros e dos sons, visualizar lindíssimas paisagens e ver também, dum lado ou do outro da ciclovia, trabalhos relacionados com a agricultura. Por vezes temos que abrandar para deixar os carneiros ou as cabras passar.
Há quem faça esta ecopista a pé, de patins ou de triciclo. Mas o que mais se vê é de bicicleta, de montanha, de corrida ou com as velhas "pasteleiras".

Começando este percurso em Valença junto ao antigo apeadeiro, passados 2 kms surge-nos do lado esquerdo o miradouro de Ganfei. Vale a pena parar, ver os campos com as vinhas da famosa casta Alvarinho e lá ao longe, na outra margem, Tui e a sua imponente catedral.
Continuando, antes da Estação de Ganfei vê-se perfeitamente do lado direito o Convento de Ganfei, que está todo escorado. A sua fundação remonta ao período visigótico e segundo uma inscrição no claustro foi destruído no ano 1000 pelo chefe árabe Almançor, sendo reconstruído em 1018 pela iniciativa de Ganfried ou Ganfei, um cavaleiro francês que se tornou santo, derivando do seu nome o nome da povoação e do mosteiro.
Foi em 1082 que nasceu em Ganfei São Teotónio que viria a ser o primeiro santo português.
São Teotónio, formado em Teologia e Filosofia em Coimbra e em Viseu foi um dos aliados do infante Afonso Henriques na sua luta contra a mãe. São Teotónio fez duas peregrinações à Terra Santa (feito notável para a época) e faleceu em Coimbra no ano de 1162.
Para visitar a capela de São Teotónio é preciso subir um pouco até ao centro de Ganfei. A capela, cuja edificação remonta possivelmente ao século XII, tendo sido remodelada nos anos XVI e XVII, situa-se numa praça ao lado do edifício da Junta de Freguesia.
Continuando caminho pela ecopista chega-se a Verdoejo. A seguir ao segundo desvio da Estação de Verdoejo, vira-se à esquerda por um caminho empedrado e passados cerca de 100 metros encontramos do lado direito o cemitério medieval do Adro Velho de que restam sepulturas antropomórficas escavadas na rocha e um cruzeiro.
Por volta do km 5,3, antes da fonte, vira-se à direita e, do outro lado da estrada encontra-se o pelourinho da Telheira. Este pelourinho, do antigo “Couto de Sanfins", marcava a jurisdição. D. Afonso Henriques coutou estas propriedades em 1172 e D. João III deu todos os seus bens e o Couto à Companhia de Jesus para assim fundarem o Colégio de Coimbra.
A seguir a Verdoejo e depois de passar a Ponte Metálica do rio Manco (ponte esta que é uma importante construção e que faz parte da arqueologia industrial ferroviária) aparece-nos Friestas e vale a pena virar à direita e subir até à estrada para ver o Portal da Quinta do Crasto.
O Portal da Quinta do Crasto, com data provável de construção da segunda metade do séc. XVIII, é uma imponente entrada que vale a pena visitar.
Charles Lindbergh (1902-1974) foi um pioneiro da aviação, famoso por ter feito o primeiro voo solitário transatlântico sem paragens, em 1927. Lindbergh partiu de Nassau, Estado de Nova Iorque, em direcção a Paris, em 20 de Maio de 1927, tendo aterrado na capital francesa no dia seguinte. Com o avião chamado “The Spirit of Saint Louis”, Lindbergh demorou 33 horas e 31 minutos para fazer a travessia.
Este feito é muito conhecido mas poucos sabem que em 12 de Novembro de 1933, devido a falta de gasolina Lindbergh que seguia juntamente com a sua esposa, Anne Morrow, fez uma descida forçada no Rio Minho, junto à Ínsua do Crasto, em Friestas.
Para assinalar este evento foi inaugurado em Friestas um monumento comemorativo que se encontra do outro lado da estrada, perto da capela do Senhor dos Aflitos.
Continuando caminho surge-nos a Lapela.
A Torre da Lapela, monumento nacional desde 1910 é uma torre de menagem também conhecida como "Torre de Belém do Minho" e é um símbolo de um passado glorioso. Pertenceu a um castelo medieval que o Rei D. João V, no início do século XVIII, mandou destruir para aproveitamento da cantaria na construção do polígono defensivo de Monção.
Mais adiante, junto ao apeadeiro onde na primeira fase terminava a ecopista, encontra-se Cortes com o Parque das Merendas de Nossa Senhora da Graça.
Agora podemos continuar a pedalar mais 3,5 kms até à velha Estação de Monção, visitar a cidade ou então atravessar o rio até Salvaterra do Miño.
Pelo caminho ficaram ainda na margem do rio Minho a Ínsua do Conguedo, em Verdoejo, que é uma língua de terra repleta de histórias que nos remontam à época dos contrabandistas e as pesqueiras em Cortes, em Troporiz e na Lapela.
A Ecopista do Rio Minho foi premiada em 2009. O concurso foi promovido pela Associação Europeia Greenways e pelo Ministério do Turismo da Comunidade Alemã na Bélgica e na edição de 2009 concorreram 21 Vias Verdes tendo a Ecopista do Rio Minho ficado em 4º lugar.
Este percurso faz-se facilmente de bicicleta numa hora (um só sentido) mas vale a pena utilizar um dia completo para poder usufruir da calma do rio Minho, da cultura e das vivências de toda a zona envolvente desta ecopista. E posso garantir que vai ser um dia bem passado...

