Na primeira vez que estive em Amsterdam, em 1976, apesar de ainda não estar tão atento às bicicletas como estou agora, houve três coisas que me chamaram a atenção: a quantidade de bicicletas que circulavam pela cidade; a existência de velhinhas a pedalar, todas lampeiras, algumas com mais de oitenta anos (como a minha vizinha que tinha 84); e por fim um senhor que chegava todos os dias num Jaguar, estacionava na rua onde eu vivia (que ficava na periferia da cidade), tirava da mala do carro uma bicicleta desdobrável (coisa que eu nunca tinha visto) e continuava a pedalar, muito bem vestido, com a sua pasta de executivo, até ao centro da cidade.
Muitos anos depois fiquei impressionado com a quantidade de bicicletas que circulavam em dias de chuva. Era praticamente o mesmo movimento de bicicletas com sol ou com chuva.
Desta vez o que mais me impressionou é que Amsterdam estava coberta por um nevão, mas as bicicletas continuavam a circular aos milhares: o pai ou a mãe com dois ou três filhos, empoleirados atrás ou à frente, jovens, adultos, meia-idade e as tais velhinhas todas lampeiras.
A partir de agora, chuva, frio ou neve nunca hão-de ser desculpa para não poder ir dar uma voltinha de bicicleta.
Amsterdam, 30 de Dezembro de 2009
